Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens

29/07/2011

Educação Indígena: o passado e o presente.

INTRODUÇÃO

Este trabalho visa mostrar elementos da história da educação indígena no Brasil nos primórdios da ocupação do território pelos portugueses até os dias atuais. Colocando elementos históricos da resistência indígena para sobreviver com as suas culturas e rituais. Traz o percurso histórico das leis conquistadas pelo movimento e das políticas públicas. Além de mostrar dados dos povos existentes.

Educação Indígena no Passado

A história da Educação no Brasil começa em 1549 com a expedição do Governador Manuel da Nóbrega enviado pela corte Portuguesa para dar ordem e converter os habitantes daquela terra à religião católica. Nessa expedição vinham jesuítas na missão de escolas e seminários nos diversos territórios do país.

A educação portuguesa no Brasil tinha três eixos fundamentais: a colonização, a educação e a catequese. A idéia central do processo educativo no Brasil era fazer com que os habitantes sofressem um processo de aculturação. Quer dizer através da educação e catequese fazer um processo de modificação da cultura originária do povo para ter a dominação territorial e intelectual dos colonos.

O processo educacional da catequese utilizava uma forma pedagógica dividida em duas formas de conversão. Uma em práticas pedagógicas em instituições (as escolas) e outra em não institucionais (o exemplo).

A educação colonial passou por várias etapas no Brasil e foram elas: “O período heróico” que foi com a chegada dos jesuítas até o início do Ratio Studiorum, em 1599, organização da educação jesuítica focada no Ratio Studiorum que vai até 1759, a outra etapa corresponde às reformas pombalinas que é uma espécie de reforma para levar a modernidade (iluminismo) idéias gestionadas por Pombal que vai até 1822.

Os povos que viviam no Brasil, denominado índios, viviam numa cultura diferenciada da comunidade portuguesa. A sua organização era realizada de forma coletiva e organizavam-se para garantir a sua subsistência não obtendo lucro de nada no processo de produção dos bens. Eram tidas como comunidades comunistas primitivas.

A educação indígena era organizada em três elementos: a tradição (orientada pelo saber das ações e decisões dos homens), a ação (aprender fazendo) e o exemplo (fazer das ações dos velhos e adultos um exemplo de tradição indígena para as futuras gerações). Acredita-se que os Tupinambás que eram muitos no Brasil foram responsáveis por um processo de expansão da forma da educação indígena e de sua organização. Era uma educação voltada para a cultura oral que passava de geração em geração a memória e a tradição das etnias indígenas, era o saber para aprender a sobreviver no cotidiano e para garantir que as gerações mantivessem as tradições dos ancestrais.

Existia uma divisão sexual nos aspectos culturais e educativos dos indígenas. Ao homem era em cabido os ensinamentos desde cedo sobre caça, luta, aventuras amorosas, o respeito até chegar ao poder. E as mulheres aprendizados sobre o cultivo, tarefas domésticas, alimentação, preparação para o casamento. Apesar da mulher ter uma função social na aldeia o homem sempre tinha mais poder e respeito nas decisões. Porém o conhecimento era acessível a todos e todas sem distinção de sexo.

Para o processo de aculturação dos indígenas os jesuítas montaram uma metodologia de formação elaborada por Nóbrega chamada pedagogia brasílica que iniciava o aprendizado em português, depois doutrina cristã, ler e escrever, de forma opcional canto e música instrumental e em paralelo o aprendizado profissional. Existia a gramática latina, porém era somente para os escolhidos a estudar na Universidade de Coimbra. Nóbrega para ficar mais próximo da cultura indígena aprendeu até sua língua materna.

A idéia era difundir esse método em diversos colégios que seriam criados na costa do Brasil. E a principal estratégia de organização era atrair as crianças nativas para a proposta de ensino. Então, eles trouxeram órfãos de Portugal para colocar nessas escolas e atrair as crianças indígenas para que ela depois de começar o processo de aculturação convencesse a família a participar do processo educacional. Esse foi o início do processo de dominação do território e da cultura pelos portugueses que obrigou ideologicamente e na força brutal os habitantes do nosso Brasil tornar-se iguais os Europeus e causou um processo de etnocídio de várias etnias e culturas do nosso território


Educação Indígena no Presente

O povo indígena no Brasil chegavam a ser cerca de 5 milhões de habitantes em todo o nosso território. Atualmente temos 215 povos indígenas no Brasil que falam 170 línguas diferentes e a população indígena se reduziu a 800 mil. Podemos assim compreender o quanto esses povos foram assassinados, oprimidos e acometidos por um processo grave de morte da sua cultura.

Para manter um resgate da cultura dos nossos povos ancestrais a sociedade civil, universidade, governo trabalha para elaborar, reivindicar, organizar políticas públicas para verdadeiramente o povo brasileiro. Mas, nem todos têm uma boa intenção. Às vezes a vontade política é pouca, o índio é visto somente como objeto de exposição ou turismo.

E para lutar por um resgate de memória, cultura a educação é essencial nesse processo e como eles vivem no Estado dos brancos também têm direitos, pois esse grande poder tem uma constituição que rege sobre os habitantes e todos tem o direito de igualdade e qualidade de vida. Por isso a luta por uma educação específica indígena é importante para que esses povos originários não sejam lembrados somente em livros e perca a sua terra por direito.

Somente apartir de 1910 depois de vinte anos da proclamação da república foram garantidos e criados mecanismos federais para dialogar com os indígenas no Brasil. Em 2010 completa 100 anos do início desse processo de discussão indígena. Antes disso os indígenas sequer foram citados na constituição de 1824 e 1889 como se eles não existissem no Brasil.

O movimento indígena teve um amadurecimento apartir de 1970 e um crescimento de organizações e movimentos liderados por eles surge nesse período uma concepção e diferença entre política indígena (aquela liderada por indígenas) e política indigenista não realizada por eles e sim por outras pessoas e isso pode ser feito com eles. Mas, nem sempre é assim. É realizada políticas públicas sem entender ou escutar as comunidades indígenas. Nesse processo de elaboração indigenista estão o Estado, as igrejas e as organizações não governamentais.

Existem vários desafios colocados no Brasil que o movimento indígena propõe ao Estado. Modificação do estatuto do povo indígena[1] para substituir o de 1973. Fazer um plano de reformulação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) que está com problemas sérios de sucateamento e o governo iniciou uma proposta de reestruturação em 2009 para aproximar o órgão indigenista aos representantes dos povos indígenas.

A Educação Indígena caminha em passos lentos apesar de está garantido na constituição federal de 1988 uma educação diferenciada. Teve avanços nas leis e no administrativo, porém os poderes ainda não conseguiram fazer uma educação que atenda as suas culturas específicas e o seu modo de vida.

O movimento indígena coloca então como pauta prioritária a educação diferenciada indo atrás dos seus direitos nos órgãos do Estado e fazendo parcerias com a sociedade civil para buscar recursos e estrutura onde é fundamental a formação de professores indígenas e uma estrutura de parâmetros curriculares que mantenha a diversidade cultural desses povos. A mudança de paradigma aos olhos dos tempos da colonização não é mais o indígena ter direito a escola e sim qual o tipo de escola. O indígena então intensifica a sua reinvidicação no sentido de não submeter-se a aculturação e sim a valorização da sua cultura e a sua memória para ser repassar de geração a geração para manter assim a sua cultura matriz.

Em 1991, existiu da política nacional de educação indígena da FUNAI para o Ministério da Educação com o objetivo de federalizar a ação e tornar uma política de Estado e não de governo somente. Fica marcado esse momento a transferência do órgão indigenista das missões religiosas para o Estado. Colocando o movimento indígena um papel de controle social do governo para políticas públicas efetivas. Porém essa ação apesar do avanço iniciou uma série de ingerência do governo sobre o papel da FUNAI e do MEC em agir juntos como parceiros e na execução do processo. E abri-se uma série de entraves de gestão.

A federalização não surtiu efeito esperado porque a política pública nacional não conseguia que os municípios e estados tivessem prioridades na educação indígena e então essa pauta foi intensificada em várias manifestações indígenas e na conferência nacional dos povos indígenas que ocorreu em 2006 que eles exigiam a criação de um sistema federal de educação indígena para tornar a dinâmica nacional da política pública de forma qualificada.

O Ministério da Educação iniciou um processo de consulta nacional dos povos indígenas para produzir um documento de diagnóstico que resultou nas Diretrizes da Política Nacional de Educação escolar indígena lançado em 2003. Esse documento foi elaborado por um Comitê Nacional de educação indígena composto pelo governo, organizações não governamentais e indígenas. Também foi criada a coordenação geral da educação escolar indígena que deu um incentivo aos estados na formação de professores indígenas, de linhas de financiamento como o FNDE (Fundo Nacional de Educação) e com isso deu apoio a criação de materiais pedagógicos criados por professores indígenas e literatura específica.

O Brasil então avança para um documento chamado Referência Curricular Nacional das Escolas Indígenas[2] que foi criado através das diretrizes e também com profissionais da área como pedagogos, antropólogos, indígenas e etc. O documento tinha o objetivo de enviar aos estados práticas e orientações de como agir com a educação indígena preservando a cultura, línguas, modos de vida e rituais.

Em 2001 o Plano Nacional de Educação foi promulgado pelo governo e tinha inserido um capítulo para a educação indígena que continha um diagnóstico das escolas indígenas, diretrizes e metas e objetivos para curto e longo prazo. Os principais pontos que o documento prevê são: universalização da oferta em programas educacionais no ensino fundamental e autonomia para as escolas indígenas na gestão e no orçamento. Para a realização do plano previa uma criação de escolas indígenas que preservasse a educação intercultural e bilíngüe e regulamentação junto às sistemas de educação estadual.


CONCLUSÃO

Este trabalho teve a intenção de mostrar fatos históricos para orientar e aprofundar no futuro uma discussão maior contextualizada e profunda sobre a educação indígena no Brasil. Percebemos que depois de todos esses avanços na política nacional de educação indígena tivemos uma era de uma nova estrutura governamental organizado pelo Governo Lula que ainda está sendo analisados pelos antropólogos, educadores, políticos e indígenas. É notório que o aumento efetivo no controle social exercendo a democracia participativa na organização de conferências e conselhos reguladores do estado contendo a sociedade civil. E também um aumento na organização de escolas e produção de materiais específicos para os indígenas.

Estamos no governo Dilma e ainda existem entraves graves na relação estado e indígenas que ainda estão nos moldes da colonização portuguesa. Não existe prioridade de nenhum governo pagar a dívida étnica e cultural que os portugueses fizeram aos povos indígenas no Brasil. Cabe então a sociedade civil fortalecer a luta social e a pressão ao Estado e o legislativo para fortalecer uma política nacional de educação que prevaleça o resgate da identidade cultural e lingüística desses povos tão importantes para a história do Brasil.



BIBLIOGRAFIA

SALVIANI, DERMEVAL. História das idéias pedagógicas no Brasil. Edição: 1ª. São Paulo: Editora Associados, 2007. 476 p.

Diagnóstico sobre os Povos Indígenas no Brasil realizado pela Organização Não Governamental Instituto Socioambiental disponível na página da web: http://pib.socioambiental.org/pt

05/06/2011

Repressão no Brasil: O que a democracia tem a haver com o meio ambiente? A Juventude precisa ir as ruas! *

Quero começar esse texto perguntando: - Até quando vamos ficar parados vendo o barco andar? O Brasil está num rumo muito preocupante. E quase todos os dias penso formas em instigar as pessoas para que elas saiam de suas cadeiras para ir as ruas... Vou colocar aqui alguns fatos que fazem com que realmente os movimentos sociais se unam e a sociedade não organizada ajudem a construir um Brasil verdadeiramente democrático e sustentável. Começando pela democracia.

Que democracia é essa? Organizada com a manipulação da mídia, da compra de voto, dos acordões. Será que realmente o povo elegeu em sã consciência os seus representantes no Brasil? Ou foi troca do seu benefício individual e instantâneo daquele momento? Porque as pessoas pensam que votando num político em troca de dinheiro, favores e cargos estão realmente exercendo a cidadania? Em longo prazo todo o seu interesse individual cai por terra porque sempre tem um aumento de imposto ali, uma sanção acolá, uma modificação de uma lei importante... O que isso quer dizer? Essa pessoa que realmente estava pensando no seu bem-estar individual na realidade não terá esse bem estar.

Acredito que não adianta pensar de forma egoísta porque o seu egoísmo sempre será uma arma contra você mesmo. O tempo passa e esse “grande cidadão” vem reclamar ali e acolá. E não faz um processo de auto-crítica. Ai paramos para pensar quem realmente está sendo beneficiado por esse modelo de política? Sabe quem? O grande capital representado por seus empresários, banqueiros, fazendeiros e etc. E sobra o que para esse eleitor utilitarista? Sobra ser um empregado para a vida toda desse grande dono da política – Os burgueses. Me deixa profundamente indignada quando vejo uma pessoa que tem minimante uma instrução e faz do seu voto uma mercadoria e se acha no direito de ficar reclamando de tudo. Acredito que esse “cidadão” realmente não exercer esse direito tão reivindicado há anos atrás....

Parece que o Brasileiro esquece a história do nosso Brasil. Esquece que morreram e foram torturados milhares de dezenas de pessoas ao longo da história para que ele escolha com liberdade os seus representantes, para que ele critique seus representantes, para que assista o que quizer, para que ele seja livre para sair em qualquer lugar... O brasileiro tem memória fraca. Mas, o que fazer para melhorar essa memória? Terá que voltar os governos totalitários para que eles sintam na pele o que é não ter liberdade? Falando em liberdade eu sinto que os momentos no Brasil estão mudando. Será que temos liberdade de expressão? Liberdade de manifestar-se?

Para termos uma sociedade livre e com justiça social temos que pensar na questão ambiental incorporada porque somos uma teia. O filósofo, ambientalista e escritor Leonardo Boff coloca que só existe justiça social que combine com a justiça ecológica. Uma não existe sem a outra. Temos que pensar a sociedade num modelo de democracia e economia que estejam baseados na ecologia social.

Para saber mais sobre ecologia social acesse um texto de Boff: http://www.leonardoboff.com/site/vista/outros/ecologia-social.htm

Fiquei bastante inquieta com os fatos de injustiça social e ambiental nas últimas três semanas no Brasil. O mês de maio vai ficar na história por um mês de retrocesso na democracia. Esse mês é também o mês de mobilização da Marcha da Maconha em Todo Brasil. Vários juízes nos dias da suas respectivas marchas expediram um mandato proibindo as marchas no Brasil. O caso mais forte foi em São Paulo que foi proibida a marcha da maconha e os organizadores então já com todos mobilizados seguiram para as ruas porém mudaram a perspectiva da marcha e convocarão a marcha da liberdade para que a população tenha liberdade de expressão. Quando chegaram ao local já tinham várias viaturas e muitos policiais esperando o evento começar tudo acabou em muitos feridos e muita confusão. Como se diz o cearense: "A cibata comeu de esmola. " Acredito que todo cidadão tem a liberdade de reinvidicar sobre qualquer tema social e os militantes da marcha tem a legitimidade de fazer esse debate com a sociedade porque são pessoas sérias e querem o debate profundo sobre as drogas. Para saber mais sobre a marcha da maconha: http://marchadamaconha.org/

Com toda essa truculência da polícia de São Paulo os manifestantes resolveram fazer uma outra marcha para reivindicar a liberdade de expressão e a democracia. Na outra marcha teve cerca de quase três mil pessoas portando flores, faixas e muitas formas de expressão sobre vários temas reprimidos na sociedade hoje como: a questão ambiental, agrária, drogas, a homofobia e etc. Então, a Marcha da Liberdade virou um evento nacional para reinvidicar várias pautas de lutas da sociedade e do movimento. Para obter informações da marcha da liberdade acesse: http://www.marchadaliberdade.org/


Em Fortaleza, Ceará estamos convocando a nossa Marcha da Liberdade para reivindicar as pautas no dia 18 de Junho olha o link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=210871815620321

E tem o relato da reunião no blog da Andréa Saraiva: http://chafurdomental.tumblr.com/post/6145266840/comunicado-marchafortaleza-sobre-as-ultimas


A marcha da liberdade em imagens:

Nesse mês de Maio também tivemos um retrocesso muito grande na legislação ambiental. Assisti a todas as sessões na Câmara dos Deputados e me senti mutilada, sem forças e com muita indignação. Vi aqueles deputados a serviço do agronegócio usar o nome da agricultura familiar em benefício dos seus interesses. Falar que o movimento ambiental é contra a produção de alimentos no Brasil é uma piada de mal gosto. O movimento é o mais preocupado com uma agricultura sustentável, sem agrotóxicos, transgênicos, sem violência no campo, sem exploração do trabalho escravo.. Está ali a todo instante organizando métodos, publicações, pesquisas para que possamos ter um Brasil Sustentável. Ver esses deputados ruralistas falar balelas e ainda nem tremer na fala... Faz meu sangue ferver. O meu coração bater mais forte numa mistura de sentimentos: ira e tristeza. O pior não é isso. É ver os partidos ditos de "esquerda" estarem a favor de uma barbarie dessas. Ver o Partido Comunista do Brasil se vender ao Agronegócio foi o auge da pelegagem... E ainda os militantes desses partidos acusar os ambientalistas de anti-comunistas é no mínimo cômico. Quem realmente está com a direita no Brasil? Vejamos nas atitudes e gestos. Será que os movimentos sociais e ambientais estão errados em não querer esse código florestal? O codigo que vai anistiar os desmatadores, vai acabar com as florestas e em consequência a água, está aumentando o conflito de terra no campo... Será que mais de 300 cientistas dizendo não ao código florestal de ALDO REBELO é pouco? Será que todas as indignações de centenas de milhares de pessoas é pouco? Estamos errado? Será que a morte de cinco militantes e trabalhadores rurais na região morte depois da votação do código florestal é pouco? Está aberto a caça aos movimentos e segurem-se quem puder...

Para saber mais sobre as mortes dos trabalhadores e trabalhadoras rurais acesse o site da Comissão Pastoral da Terra: http://www.cptnacional.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=662:mais-um-trabalhador-e-assassinado-no-para&catid=12:conflitos&Itemid=54

Para saber mais sobre a campanha sobre o código florestal acesse: http://www.sosflorestas.com.br/dia-a-dia.php

Ainda tivemos uma surpresinha dos deputados da bancada evangélica e católica conservadora na sessão do código florestal. Começaram a questionar a Presidenta Dilma e o Ministro da Educação em distribuir um Kit que iria incentivar o Homosexualismo. Se eu já estava passada... Fiquei azul na hora. Como pode um deputado questionar uma ação do governo que seria educativa nas escolas sobre a questão do homosexualismo? Ele sabe o indice de violência contra os homosexuais? Ele sabe que o filho ou algum parente dele pode ser homosexual? E ele fará o que se isso acontecer na família? Levará no médico para tratar é? As pessoas são livres para amar e para ter qualquer opção sexual. E elas não precisam ser internadas por isso, mortas ou sofrido algum tipo de violência verbal e corporal. Logo depois desse comentário absurdo dos deputados o governo suspendeu o distribuição do kit nas escolas. Só para refrescar a memória lembra que a Dilma no segundo turno fez um super acordão com a bancada evangélica e católica mais conservadora? Lembra do Edir Macedo da Igreja Universal sendo seu cabo eleitoral? Pois é... Ela tá com as mãos atadas agora. Acredito que o movimento GLBT deve vim junto com a gente para as ruas. Preconceito não combina com democracia e o Estado deve ser Laico.

Sobre o kit anti-homofobia: http://guiadoestudante.abril.com.br/vestibular-enem/mec-distribuira-kit-anti-homofobia-escolas-publicas-segudo-semestre-627475.shtml

Uma visão interessante de um religioso da igreja católica vale a pena conferir o texto do Frei Betto: http://www.freibetto.org/index.php/artigos/85-os-gays-e-a-biblia

E para fechar com chave de ouro ás vésperas do dia do Meio Ambiente o Ibama libera a licença para o inicio das obras da Hidrelétrica de Belo Monte no Norte do País. O Brasil será responsável por uma das maiores infrações ambientais, sociais no Brasil. Será que essa energia irá beneficiar o povo? Como o governo está falando ai para os quatro cantos do mundo. E será que precisamos massacrar etnias indígenas, desmatar uma área cheia de biodiversidade para atender a esse modelo econômico insustentável? Penso que temos um problema real energético. O Brasil precisa de muita energia por vários motivos são eles: o consumo desenfreado da população e consumo desenfreado das indústrias. Para resolver esse problema temos que pensar a longo prazo em educação para o consumo sustentável e um modelo energético sustentável com energia renováveis. Isso é possível o Brasil tem uma potencialidade grande para isso. É burrice construir Belo Monte.... Com toda a mídia nacional e internacional focando na injustiça ambiental que o país irá fazer. Sendo julgado pelo tribunal internacional, sendo advertido pela Organizações dos Estados Interamericanos. Vamos continuar com essa construção? Os povos indígenas já colocaram que se iniciar as obras terá guerra na região. E veremos muito sangue na televisão e mais uma vez o modelo colonial português no Brasil estará predominante. Será uma pena! Uma tristeza... Para saber mais sobre a questão de Belo Monte e a situação no Norte acesse: http://www.xinguvivo.org.br/

Com todos esse motivos acima desencadiados no Brasil. Estamos vivendo um grande retrocesso ambiental, democrático e social. E tem vários outros temas e situações que estão acontecendo no Brasil a fora. Essas foram as que estão me tirando do sério. Me alonguei um pouco mais quis fazer desse texto numa mistura de sentimentos, fatos e informação para quem não está muito a par da situação e que de alguma forma sensibilize pessoas para irmos juntos a rua para pedir um país mais justo, sustentável e democrático.

Fiquemos com a bonita fala do companheiro morto no Acre para entendermos porque ficamos na luta para representar os ideais daqueles que já se foram e fizeram muito pelo Brasil. A Juventude precisa ir as ruas... Vamos nessa?

"Eu estou na luta porque a árvore é minha irmã..." José Claúdio - Militante ambientalista morto no Pará.




* Fernanda Rodrigues é Estudante de Pedagogia na Universidade Federal do Ceará, Integrante da Associação Civil Alternativa Terrazul, Conselheira Nacional de Juventude integrando a cadeira de fóruns e redes representando o FBOMS (Fórum Brasileiro de Organizações e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento), integrante da REJUMA (Rede da Juventude Pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade).

25/01/2011

Juventude e Consumo: Realidade, desafios e alternativas para um consumo responsável.

Fernanda Rodrigues Machado Farias[1] e Katiane Farias Teixeira[2]



A idéia do consumismo é imposta pela cultura dominante como algo “vital” para as relações juvenis em nossa sociedade. Isso se dá através das construções políticas e econômicas que incentivam a atitude do “ter” para está de bem consigo, e com as outras pessoas. A mídia é um instrumento fortíssimo e muito rápido na disseminação da ideologia capitalista, logo, consumista. Propagandas de alimentos transgênicos como o ‘BigMac Feliz’ espalhados em todos os meios de comunicação utilizam a imagem da juventude sempre com roupas da moda, cabelos lisos e loiros, magros e saudáveis representando a padronização estética, alimentícia, cultural e consumista que incentivam jovens a consumir esse produto.

A questão alimentar está cada vez mais preocupante na cultura globalizada, que é acelerada, intensa e sua produção está voltada para suplementos energéticos e vitais, trazendo em sua embalagem a promessa dos alimentos cada vez mais super vitaminados e práticos. Freqüentemente, o alvo do marketing publicitário tem sido os/as jovens, por serem sujeitos a maior vulnerabilidade, pois vivenciam o processo de construção de personalidade. A utilização de ídolos nas propagandas, modelos e de espírito de festa são instrumentos fortes para levar a aprovação do/a jovem a um determinado produto.

Porém, apesar dessa vulnerabilidade etária, os/as jovens são sujeitos/as da história e podem se identificar com a luta cotidiana de sociedade e são passiveis de mudança de pensamento em relação à educação para o consumo.

O mercado é muito forte e com essa insistência de atingir especialmente esse ideal de juventude levam diversos jovens, principalmente da periferia, a sentirem-se excluídos por conta do modelo de jovem da mídia. Esse sentimento de exclusão faz com que eles desejem ter e ser um consumista levando-os, muitas vezes, a cometerem crimes para alcançar o ideal de consumo: “Consumo, logo existo!”

A insegurança alimentar é algo visivelmente presente na concepção juvenil de alimentação. São alimentos gordurosos, transgênicos, refrigerantes, etc. Isso ilustra as condições alimentares precárias para uma vida de praticidade para a família e para eles próprios, tornando os/as jovens cada vez mais doentes, obesos, dependentes, anorexos/as... Tudo por conta de uma busca de identidade, cada vez mais influenciada pelo capitalismo que nos impõe uma condição de vida medíocre e insegura.

Nessa perspectiva, a educação para o consumo torna-se importante para a formação de indivíduos responsáveis e capazes de contribuir por meio de atitudes e escolhas que não comprometerão as futuras gerações. E que, assim sejam capazes de entender e intervir na sociedade em que vivem. É também extremamente importante para a transformação social e na relação do ter com o ser. Os/as jovens têm várias potencialidades para protagonizar essa mudança social e alimentar. Temos que lutar por uma soberania alimentar das juventudes e dos povos!

Como alternativa a insustentabilidade é importante o fomento de grupos e atividades voltadas para uma concepção sustentável de mundo. Em Fortaleza, no bairro Benfica, temos uma experiência de organização de um grupo de consumidores responsáveis com o objetivo de juntamente com produtores da Agricultura Familiar do interior do Estado organizar uma feira agroecológica como opção de um consumo justo e sustentável. Oferecendo atividades de educação ambiental, atividades culturais e abrindo um espaço de diálogo, esse grupo é composto na sua maioria por jovens que representam diversas instituições e entidades, além de moradores do bairro que vem se reunindo desde janeiro de 2010.

A luta pelo direito de ter um consumo saudável precisa ser pautada no movimento das juventudes e na juventude brasileira como um todo, pois temos o direito de saber onde foi fabricado, como e por quem... Precisamos saber se é necessário para a vida, se é ecologicamente correto e se é sustentável! São perguntas essenciais para termos uma soberania alimentar onde possamos escolher como devemos consumir, por quê devemos consumir, e de quem devemos consumir. Sendo assim, uma luta que deve ser travada pelos movimentos sociais junto à sociedade em geral e novas alternativas devem ser traçadas para tornar o ato de consumir num ato político de “dizer não” ao desenvolvimento desenfreado e a insustentabilidade ambiental.


[1] Estudante de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará, Integrante da Juventude Alternativa Terrazul, Rejuma (Rede de Juventude e Meio Ambiente pela Sustentabilidade), Coletivo Jovem do Ceará, Conselheira Nacional de Juventude pelo Fórum Brasileiro de Organizações e Movimentos pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento.

[1] Estudante de Economia Doméstica da Universidade Federal do Ceará, Integrante da Juventude Alternativa Terrazul, Rejuma (Rede de Juventude e Meio Ambiente pela Sustentabilidade), Coletivo Jovem do Ceará.


Obs: Esse texto foi publicado na Edição Nº 4 da Revista Agenda 21 e Meio Ambiente realizado pelo Ministério do Meio Ambiente em 2010. O link para a revista: http://www.mma.gov.br/estruturas/182/_arquivos/agenda21_juventude2010_182.pdf

06/01/2009

É preciso parar Israel por Elaine Tavares.

Elaine Tavares *
Fonte: Adital

Assim fala o poeta catarinense Cruz e Souza, negro, excluído, abandonado: "Há que ter ódio, ódio são, contra os vilões do amor". Com ele comungo porque, às vezes, o que se pode fazer contra o rugir do canhão? Na Palestina é assim. Desde 1947 que os canhões israelenses amassam casa, oliveiras e vidas. Perdeu-se a conta dos massacres que acontecem quando um ou outro militante, desesperado com a dor da invasão e da prisão sem fim, toma uma atitude radical. Então, para a mídia, palestino que luta contra a dominação é bandido, mas um estado terrorista que mata civis e rouba terra é legal.

A guerra sem fim que aparece na televisão como coisa natural não nasceu ao acaso. Ela começa quando os Estados Unidos, vencedor da segunda guerra, decide dar, à força, um país aos judeus. O país é a Palestina e tampouco o lugar é escolhido ao acaso, é que ali é a porta de entrada para o Oriente Médio, lugar estratégico na geopolítica, portal do óleo negro. A promessa ao fim da guerra era ter dois estados, o de Israel e o Palestino. Mas, com o passar do tempo, os israelenses foram invadindo mais e mais terras, e os palestinos passaram a condição de "terroristas". Não é incrível?

Hoje, os palestinos vivem confinados em duas grandes áreas dentro do seu próprio território. Vivem trancados, presos dentro de altos muros de concreto. Precisam pedir permissão para sair e entrar na suas casas. Têm de viver de olhos baixos, em atitude de submissão. Mandam neles os soldadinhos israelenses quase imberbes que decidem quem e como passar. O mundo inteiro viu crescer o muro e nada foi feito. É que parece que sempre há uma outra emergência para cuidar.

Na Palestina as crianças brincam nas ruas com o olho espichado para os canhões que toda hora insistem em avançar. Parece que nada é suficiente. O governo de Israel tem um único propósito: eliminar até o último palestino da terra, nada menos que isso. E, diante desse crime, instituições como as Nações Unidas ficam caladas ou fazem moções, como se isso pudesse valer de algo. Penso que alguém precisa parar Israel. Já basta! Não é mais possível que se possa seguir admitindo o que acontece naquela terra bendita. Sinceramente eu não sei como, me sinto impotente, aqui, tão longe. Mas, de algum lugar precisa vir a trava. "Ainda verte a fonte do crime. Obstruam-na!", gritava o poeta Mahmud Darwish. Quem o fará?

Os palestinos estão agora sob o fogo de Israel, de novo. Pelas ruas os corpos se espalham. Mulheres, crianças, velhos, jovens, que nunca crescerão. A terra santa se banha de vermelho. As mulheres gritam. E as balas não param. Na TV, quem aparece são os candidatos ao governo de Israel, as autoridades, são eles os que têm a fala. Eu digo que já basta! Que se façam ouvir os gritos das mães, que se veja o vermelho do sangue, porque esta guerra não é um vídeo-game. E que as gentes saiam às ruas, e que pressionem seus governantes para que isso pare. Não é possível que as pessoas achem isso normal. Não é possível que sigam acreditando na Globo e nos jornalistas à soldo.

A Palestina, mais uma vez, está a arder. Mas eu sei que, ainda que todos tombem, sempre haverá quem se lembre. E sempre haverá, forte, o ódio contra os vilões do amor. Assim, tal e qual Mahmud Darwish, cada palestino, mesmo morto, cantará: "Ó rocha sobre a qual meu pai orou, Para que fosse abrigo do rebelde, Eu não te venderia por diamantes, Eu não partirei, Eu não partirei!"

* Jornalista

01/10/2008

“Cale a Boca e Consuma” *

A idéia do consumismo é imposta pela cultura dominante como algo “vital” para as relações juvenis em nossa sociedade e isso se dá através das construções políticas e econômicas que incentivam a atitude do “ter” para está de bem consigo, e com as outras pessoas. A mídia é um instrumento fortíssimo e muito rápido na disseminação da ideologia capitalista, logo consumista. Propagandas de Alimentos trangênicos como o ‘BigMac Feliz’ espalhados em todos os meios de comunicação utilizando a imagem da juventude, sempre com roupas da moda, cabelos lisos e loiros, magros e saudáveis, representando a padronização estética, alimentícia, cultural e consumista e incentivando os/as jovens a consumir esse produto.

A questão alimentar está cada vez mais preocupante na cultura globalizada, que é acelerada, intensa e sua produção está voltada para suplementos energéticos e vitais, trazendo em sua embalagem a promessa dos alimentos, cada vez mais, super vitaminados e práticos. Freqüentemente o alvo do marketing publicitário tem sido os/as jovens por serem sujeitos a maior vulnerabilidade, pois vivenciam o processo de construção de personalidade. A utilização de ídolos nas propagandas, modelos e de espírito de festa são instrumentos fortes para levar a aprovação do/a jovem a um determinado produto.

Porém, apesar dessa vulnerabilidade etária, os/as jovens são sujeitos/as da história e podem se identificar com a luta cotidiana de sociedade e são passiveis de mudança de pensamento em relação à educação para o consumo.
O mercado é muito forte e com essa insistência de atingir especialmente esse ideal de juventude levam diversos jovens, principalmente da periferia, a sentirem-se excluídos por conta do modelo de jovem da mídia. Esse sentimento de exclusão faz com que eles desejem ter e ser um consumista levando-os, muitas vezes, a cometerem crimes para alcançar o ideal de consumo: Consumo, logo existo!

A insegurança alimentar é algo visivelmente presente na concepção juvenil de alimentação. São alimentos gordurosos, transgênicos, refrigerantes e etc... O que ilustra as condições alimentares precárias para uma vida de praticidade para a família e para eles próprios, tornando os/as jovens cada vez mais doentes, obesos, dependentes, anorexos/as... Tudo por conta de uma busca de identidade, cada vez mais influenciada pelo capitalismo que nos impõe uma condição de vida medíocre e insegura.

Uma educação para o consumo é extremamente importante para a transformação social e na relação do ter com o ser. Os/as jovens têm várias potencialidades para protagonizar essa mudança social e alimentar. Temos que lutar por uma soberania alimentar das juventudes e dos povos!

A luta pelo direito de ter um consumo saudável precisa ser pautada no movimento das juventudes e na juventude brasileira como um todo, pois temos o direito de saber onde foi fabricado, como e por quem... Precisamos saber se é necessário para a vida, se é ecologicamente correto e se é sustentável! São perguntas essenciais para termos uma soberania alimentar onde possamos escolher como devemos consumir, quando devemos consumir, e de quem devemos consumir. Sendo assim, uma luta que deve ser travada pelos movimentos sociais junto à sociedade em geral.

*Trecho da música Consumo da banda Plebe Rude.
Ps: Obrigada as minhas companheiras de luta Gabriela Batista e Ediane Soares que me ajudaram na construção do texto!!!

12/09/2008

Essa música reflete o que estou sentindo...

Tocando em Frente
Almir Sater


Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

11/09/2008

Tecendo os nós das redes

Marina Silva
De Brasília (DF)


No dia 28 de julho tratei neste espaço da expansão política que se dá via internet, beneficiando-se da notável abertura e horizontalização dessa forma de comunicação e colocando em sintonia uma verdadeira multidão de emissores de mensagens.

Chamei este fenômeno de Polinet, em contraposição ao Politburo, a instância máxima de poder na antiga União Soviética, que ficou conhecido como sinônimo de grupos que comandam a política de forma altamente verticalizada, com mão de ferro, de cima para baixo.


No final do artigo, lembrei o cuidado que se deve ter para não mistificar a internet porque ela também é um campo de delinqüência e comportamentos destrutivos. Mesmo assim, deve ser valorizada e explorada cada vez mais como espaço de participação política e de exercício de cidadania.

Agora volto ao tema, para exemplificar o uso da internet como ferramenta de redes que têm as questões ambientais no centro de suas ações.

O sociólogo espanhol Manuel Castells estuda a sociedade atual como uma sociedade globalizada marcada por profundas mudanças nos seus sistemas estruturantes e nas relações entre grupos e pessoas, mediadas por uma revolução tecnológica na área da informação. Essa sociedade, diz Castells, organiza-se basicamente na forma de redes, o que se torna possível pela expansão das tecnologias de informação.

O conceito de redes de Castells é, em princípio, bem simples. Ele diz que "rede é um conjunto de nós interconectados". Mas se olharmos a sociedade atual, veremos como essa idéia é útil para entender a maneira complexa como nos conectamos com múltiplos interlocutores, tanto na vida privada quanto no exercício profissional e na vida pública de maneira geral. Para Castells, a principal característica da rede é que ela é uma estrutura aberta, em constante expansão, o que se dá pela integração de novos nós, desde que compartilhem os mesmos códigos, como por exemplo, um conjunto de valores ou um objetivo.

Isso vale para a economia, a cultura, para todos os setores e formas de organização da sociedade. Como instrumento de organização social, a estrutura de redes tem sido decisiva para potencializar ações que teriam impacto muito reduzido se fossem feitas por uma única entidade ou segmento. Tem sido também fundamental ao colocar em sintonia redes de diferentes origens, provocando um aprendizado intenso, sobretudo no que diz respeito à convivência e sinergia entre diferentes, desde que eticamente alinhados em seus propósitos.

Essa sinergia de redes pode ser observada na formação de processos de governança, nos quais a decisão de interesse público passa pela participação de múltiplos setores no debate e na elaboração de propostas.

Da área socioambiental, uma das pioneiras no estímulo à formação de redes no campo dos movimentos sociais, vêm os exemplos que quero apresentar. São quatro redes de naturezas distintas na sua origem, composição e objetivos.

A mais antiga é a REBRIP, a Rede Brasileira de Integração dos Povos, criada em 1998. É uma articulação de ongs, movimentos sociais, entidades sindicais e profissionais. Nasceu para ser instrumento de discussão das diversas integrações regionais, da ALCA ao MERCOSUL. Sedia o capítulo brasileiro da Aliança Social Continental, rede que articula ongs e movimentos sociais das Américas para combater os tratados de livre comércio.

Ao longo do tempo, a REBRIP acabou incorporando a questão ambiental como uma das suas maiores preocupações, embora na origem estivesse desvinculada dela. Hoje acompanha de perto os tratados de livre comércio e na suas relações com o meio ambiente. A Reprib é uma demonstração do crescimento dos temas ambientais nos movimentos sociais e ongs não ambientalistas, reforçando a idéia de ligação necessária e visceral entre questões sociais, econômicas e ambientais.

Já a Rede Brasileira de Ecossocialismo foi criada no Forum Social Mundial de 2003. Ela representa outro elemento de evolução da questão ambiental. Nasceu sob o signo da Ecologia Política, tentando responder a lacunas e fragilidades no trato dos temas ambientais nos partidos e movimentos de esquerda. Essa rede aglutina pessoas que acreditam na junção entre a busca do socialismo e o ambientalismo, mas constatam que em muitos setores da esquerda esse ainda é um assunto considerado secundário. No ano passado, em Paris, foi criada a Rede Ecossocialista Internacional.

As outras duas redes têm a ver diretamente com a ação conjugada da sociedade e do Estado para avançar em iniciativas de caráter socioambiental. A primeira delas é a REJUMA, Rede de Juventude pelo Meio Ambiente, criada dentro das Conferências nacionais de Meio Ambiente, principalmente a partir da I Conferência Infanto Juvenil, realizada em 2003.

Para além de uma rede de educação ambiental entre os jovens, a REJUMA propõe um maior engajamento da juventude na defesa da sustentabilidade do planeta e reivindica políticas públicas que articulem a questão ambiental com os temas da juventude, nos seus mais diversos segmentos. Está ligada à idéia de protagonismo juvenil, que tem no jovem cidadão uma fonte de iniciativa com liberdade e responsabilidade social e ambiental.

A Rejuma tem apoio dos ministérios da Educação e do Meio Ambiente e forte articulação nos estados, por meio dos Cjs, os Coletivos de Juventudes pelo Meio Ambiente.

A segunda é a Rede Brasileira de Agendas 21 Locais. Tem sua origem na Agenda 21, um dos principais documentos aprovados na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, com o objetivo de ser um guia prático de ações para materializar o conceito de desenvolvimento sustentável em cada país e em âmbito global.

Há programas de Agenda 21 Local na maioria dos países. No Brasil ela é particularmente ativa. Apoiada desde o seu nascedouro pelo Ministério do Meio Ambiente, reúne os fóruns de Agenda 21 locais, espaços de democracia participativa e de construção de consensos para o desenvolvimento sustentável local, entre ongs, movimentos sociais e comunitários, iniciativa privada e poder público municipal, estadual e federal. A Rede Brasileira de Agendas 21 Locais está se tornando um instrumento importante para troca de experiências e aplicação de soluções sustentáveis a problemas locais.

E por falar em Politnet, cada uma dessas redes fornece links. Assim, quem entrar nos seus sites terá acesso a um mundo de articulações e de possibilidades de informação e engajamento na área socioambiental. Os endereços são: www.rejuma.org.br; www.redeagenda21local.org.br; www.rebrip.org.br; www.ecossocialistas.org.br .

Fonte: www.terra.com.br