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01/05/2017

POETA LIVRE



Faz alguns anos que muitos se foram.
Os parentes, os amigos, as pessoas...
Alguns foram para longe e outros nunca retornarão.
O poeta da minha vida se foi também.
Ele me ensinou a amar o Ceará. 
A chorar com suas melodias aquelas dores que a alma não suportava.

Esse tempo é estranho. É solitário. É devastador.
E sua ida é um sinal de liberdade dessa materialidade que é a vida.
Esse tempo é estranho. Porque alguns estão quase indo com você...
O que me acalenta é saber que nos deixou a sua música. A minha dor é mais feliz com sua música.

Belchior, é a trilha sonora das boêmias e dos encontros da minha vida: no Benfica, na Gentilândia, em Guaramiranga, no Sertão, em Sobral, na Praia de Iracema, na Praia do Futuro, na Maraponga, no Bairro de Fátima, no Pan-Americano... Momentos que foram mais felizes e tristes com você!  

A sua poesia nos libertou e nos libertará até a vida cessar. Obrigada por nos mostrar a liberdade que as palavras podem nos proporcionam!

A cada ano que a vida passar irei continuar cantando: ... " Ano passado morri, mas esse ano não morro..."

23/10/2015

Brincadeira paralisante

Ela brincava naquela casa grande.
Sentia-se protegida.
Ele chegou e disse que queria brincar também.
Ela nunca tinha conhecido aquela brincadeira.
Ele tirou a roupa.
Pediu para ela entrar no quarto.
Ela entrou mesmo não entendendo.
Ele pediu para ela sentar nele.
Pensando que estavam brincando.
Ela sentou nele.
Ele se esfregou.
Aquele órgão estranho na sua calçinha de criança.
Ela lembra de pouca coisa.
Não sabe quantas vezes brincaram daquilo.
E no fim de cada brincadeira ele sempre dizia que ela devia esquecer aquilo e nunca contar para ninguém.
Ela continuava não entendendo e com medo nunca contou para ninguém.
Ela nem sabia porque tinha medo.
Ela só tinha 6 anos.
Anos passaram e ela cresceu.
Entendeu que aquilo não era brincadeira. Lembrou de algumas cenas.
Ela sentiu um medo absurdo e uma dor absurda.
Ele deve estar por ai. Porque a família nem sabe o que aconteceu.
Ela sente cada momento do abuso. Até hoje ele anda na mente dela.
Hoje ela entende porque odiava tanto aquela casa.
Aquela brincadeira que não era brincadeira segue gravada na sua alma.
E ela segue paralisada sem coragem de dizer o quanto ele fez mal para a sua vida...

19/10/2015

Sem palavras


Tela em branco.
Por que em branco?
Esqueci que ela existe dentro de mim.
Ela quem?
As palavras, a poesia, a esperança e a desesperança.Ás vezes olho para tela em silêncio para ver se ela volta.
Essa poesia que faz nó na minha garganta e que se acumula em glândulas no meu peito.
Quero tirar ela do silêncio da minha alma que anda perdida na minha razão.Razão essa perdida no cotidiano da vida moderna.
Essa vida que anda me calando. Deixando a tela em branco.
Do nada lembrei de olhar para elas (as poesias). Tão intensas eram as palavras, tanta energia, amor, desilusão, encantamento...
Elas estão presas em diversas partes do meu corpo. 
Então, um livro me disse hoje que é preciso escrever para viver.
Estou aqui tentando fazer com que as palavras saiam.Doídas.
A dor necessária para que tenhamos pequenos grandes momentos de libertação.
Que as minhas telas sejam coloridas a partir de hoje! 
Não importa a cor ou a dor. 
Poesia saia.
Saiu...

23/11/2012

Ode a Razão

Aquela razão querida.
Tecida por noites mal dormidas e lágrimas ardidas.
Elas levaram a cada gota um pedaço do coração.

E o coração se foi.
A paz da razão se instalou.
As nuvens cabiam nos pensamentos. Brandos e serenos.
O estar só não era o mesmo.

Cadê você querida?
Que sabia mediar, planejar e me organizar?
Resolveu me deixar aos pés de uma paixão sem motivo.
Me abandonaste em meio ao caos do sentir.

Quero você de volta.
Para me sentir de novo.
E não sentir a bobagem querer dar o meu coração.

Do direito ao velho*




Do direito à sabedoria

Ao não ter forças para levantar

A contar suas memórias

Esquecer das pessoas, objetos ou lugares

De ter sua pele enrugada carregada pela vida gasta no tempo

Tempos de mudança de ritmo

Sentir a dor de cada pedaço do corpo

O abraço das crianças

Dar colo e conselhos

Reclamar de uma trajetória inteira

Provocar discussões insanas

Sentir o toque da pele e do sexo de forma mais branda

Direito ao velho da mesma forma que o novo tem. O ser velho só irá parar quando a vida abrir e chamar a morte pra dançar!
 
*Com contribuições da poeta amiga Edineuda Soares


21/10/2012

A ela.

A ela por me fazer tremer.
A ela por amanhecer.
A ela por temer.
A ela por lembrar.
A ela por tentar.
A ela por saúdar.
A ela por querer estar.
A ela por apaixonar.
A ela por tentar entender.
A ela por querer dizer.
A ela por querer te ter.
A ela por querer cheirar.
A ela por não saber se vá.
A ela por deixar rolar.
A ela por me "insegurar".
Estou entregue a ela: a SAUDADE que chega quando o sol acorda e vai quando a noite dorme.

Sobre Querer-te

A sua boca distante
Mão, corpo e pensamento...
O querer-te aumenta.
Mas, não lamenta.
A distância não é triste.
É só uma vírgula colocada no meu querer. Ou um três pontos.
O tempo caminha para te encontrar.
Separa-nos agora a tela do computador ou as ondas do celular.
Porém, o querer-te ainda está aqui.
É só te ver escrever ou falar nesse teu querer que o corpo em chamas pede você.

Somos todos kaiowá

O rosto pintado de sangue.
O corpo esperando por uma vala.
A alma carrega um povo.
Os braços cansados tentando justiça.
A fala tremida do medo e da dor.
E o povo kaiowá ainda estão lá...
Até que dia?


Dilma, aqueles que irão morrer te saúdam: http://vimeo.com/41571615

12/08/2012

A cegueira da solidão


É dia dos pais.
Aquele senhor com marcas no rosto da idade.
O tato das coisas para achar o caminho.
Tentando encontrar a felicidade na abertura do portão para a visita do seu filho.
Estática fiquei.
Escutando a voz. E sentindo aquele instante.
Pensei: nos pais abandonados por ai.
Na solidão daquele senhor. E na escuridão da sua visão.
É ele é cego. E idoso também. E só.
Só ele uma rede e alguns pertences.
O que ele consegue enxergar do mundo?
O que são as suas memórias?
O porque da solidão no fim da vida?
As lágrimas rolaram e eu continuei estática. Mas, num sei até quando...

08/08/2012

Des-medida

Não precisa de tempo e nem espaço.
Nem medida.
Nem acerto.
Nem futuro.
Nem da verdade ou mentira.
O que tenho é um coração com minutos de sorrisos...

30/07/2012

Anatomia de paixão

Um coração.
ELE: em chamas.

Duas pernas.
ELAS: Bambas.

Uma boca.
ELA: arde e pede a sua.

Uma cabeça.
ELA: na lua e pensando no teu corpo.

Uma pele.
ELA: sente o toque das suas mãos.

Uma barriga.
ELA: sente ciclone de leveza.

Duas mãos.
ELAS: querem te fazer carinho.

Uma espinha dorsal.
ELA: arrepia.


RECEITA DO SORRISO

3/4 de implicância
Sentida.
Minutos de besteira no fogo.
7 kilos de piada.
4 pés misturados na cama.
Mistura tudo e sai semanas de sorrisos...

16/07/2012

Deixa por acontecer

Nem por um momento passaria do primeiro encontro.
Motivos de sobra. Sentidos de menos. Ausências de abrigo.
Não queria por que sua jovialidade assusta?
Estava cansada de coisas vazias e sem intensidades?

Imaginava que o desejo num era para tanto?
Havia histórias na minha cabeça que não queriam sair?
Tempo dentro do tempo para mim?
Chegou um ponto e colocou aonde era a ser colocado.
Do caminho, não sei. Nem quero saber.
A incertezas já não assustam.
Porque é leve, divertido, despreocupado e feliz.
Peguei o lápis. Sorri para o menino.
E ditei ao destino: deixa por acontecer...

12/07/2012

A beleza do silêncio


                     Vocês costumam escutar o silêncio?
Ele não tem gosto de nada.
Nem conseguimos segurar na mão.
Silêncio. Xiiii! Escuta. Xiiii!
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Como tornar o silêncio uma poesia?
Como visualizar o silêncio?
Imagino que seja como pegar uma nuvem no céu.
É algo imaterial. Não é sólido, líquido ou gasoso. 
Silêncio. Xiiiii! Escuta ai, vai? Xiiii!
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Quando entendemos o silêncio e o que ele não quer nos dizer. É tudo fácil.
A estabilidade dele dentro de nós, mexe com a instabilidade sonora da vida de cada dia.
Escutem a beleza do silêncio. Não existe palavra que o defina. Nessa poesia eu não consegui encontrar.
Silêncio. Xiiii! 
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Ele pode não te dizer algo. Sinta.
Silencio

Foto: Sebastião Salgado. 

08/07/2012

Pausa para o Desejo. Parte II

Palavra na pele.
Pele na palavra.
Sorrisos infantis. 


Corpos em chamas.
Desejo livre.
Passagem repentina.


Quebra de preconceito.
Alcance do coração.
Tempo sem medida.

17/06/2012

Oratório

Rogo-lhe o desejo que desejei.
Rogo-lhe a sede da boca das madrugadas, dias e noites.
Rogo-lhe o entrelaçamento dos corpos como entrelacei.
Rogo-lhe que olhe nos olhos e veja a alma em chamas como eu vi.
Rogo-lhe as lágrimas que eu chorei por horas e dias.
Rogo-lhe que seja enganado como me enganei.
Rogo-lhe a falta de sinceridade de outra pessoa e sentir como dói a decepção.
Rogo-lhe as promessas que fizemos e não realizou-se.
Rogo-lhe que seja desprezado e que a pessoa amada suma da sua vida sem dar explicação.
Rogo-lhe meu amor, que sinta a dor sentida em mim e entenda que tudo na vida vai e volta. É a lei natural das energias. 

Chuva de ilusão

Cada gota de chuva uma lágrima caída.
Espinhos num peito em chamas.
Cada passo um pedido de socorro.
As mesmas situações.
Dois amores. Um sofrimento.
E as buscas irreais...


"Não quero prazer. Quero alegria." Rubem Alves

09/06/2012

O orgulho do amor

Esses dias eu te vi. Guardei toda as forças para esse momento meu amor.
O meu corpo mostrava o que queimava por dentro.
Vermelho ele ficou. Lembrei das nossas noites de amor. Aquelas marcas que só você sabe fazer.
Mas, eu guardei todo aquele sentimento para mim.
Travei. Doeu. Guardei.
Não quero que saiba de nada.
Nem do amor. Nem de quanto tenho para lidar.
Porque aqui amor, tudo dói ainda.
Eu não esqueço do desprezo. Do silêncio do teu medo.
Quero te ver sempre. Mas, não como antes.
Quero criar anticorpos para esse amor que mata, corrói feito uma doença.
Ele vai e volta.
Quero uma vacina contra você.
Porque nunca iremos nos ter totalmente.
Coração, mente, corpo.
Sempre vai faltar algo.
O orgulho nos guia.
A liberdade nos pertence.
E por esses dois motivos nunca iremos nos ter.
Ou viver o que está nos seus olhos ou no meu.
Bem vindo amor aqui outra vez.


05/06/2012

Como dói Deus...

Sinto os nódulos formarem vulcões no meu corpo.
O pescoço dói.
Os olhos começam a cansar.
Penso na minha existência. Para que ela existe?
Sempre penso nisso.
Acho meu corpo limitado para o que penso ou sinto.
Ele pesa. Dói. Ele reflete o que sou.
Será que a mente é dominada pela a ditadura do nosso corpo?
Como dói Deus...
As costas me maltratam e não me deixam passar do limite do pensar.
E meu punho não quer funcionar para reproduzir as minhas idéias malucas.
Como dói Deus...
Será que existe libertação das nossas mentes sem a embalagem limitada dos nossos corpos?
Como dói Deus...

24/05/2012

O cheiro do rapaz da esquina Juvenal

Um dia comum.
Com aqueles papéis todos empilhados e sem sentido.
O tempo sendo desperdiçado pela não criatividade das coisas.
Atravesso a rua. Muvuca do fim de tarde. Buzinas, pessoas e rostos cansados.
Conversas de jovens adolescentes, universitários, risos, reclamações...
A espera do café de cada dia com aquele pão com queijo a saliva sai.
São tantas sensações que por um momento não percebi aquele cheiro, rosto.

É o cheiro. De longe sinto.

Quase sempre o encontro é naquela esquina e no mesmo carro de pão e tapioca.
Lenta a correria se torna.
Corre é o meu coração quando escuta aquela voz e sente aquele cheiro.
Paralítica observo os movimentos e as conversas.
O rosto, as formas, o olhar... E o cheiro.

Como é platônico o imaginar desse cheiro.

O nosso encontro é assim: "Sem cheiro, sem contato."
Ele é paralítico e sem sentido.
Intenso e poético.
O meu coração sempre corre com o cheiro platônico do rapaz da esquina Juvenal.